A
história diz que os ancestrais do gado Franqueiro foram
domesticados no Egito há 6.000 anos. Daí seguiram para a Península
Ibérica e desta, para as Américas. O gado da América
do Norte, o de guampas finas (Longhorn), foi trazido por Cristovão
Colombo em 1493. Os primeiros
animais aportados na costa brasileira, São Vicente, em 1534, eram
descendentes do mesmo casco ibérico, trazidos pelo donatário das
Capitanias Hereditárias de São Vicente, Martim Afonso de Souza,
português, e em 1541 por Alvar Nuñez Cabeza de Vaca, espanhol. Descendentes
destes, os primeiros crioulos americanos, foram levados pelos irmãos
Góes e alguns castelhanos, a cargo do vaqueano “um fulano Gaete” em
1555, de São Vicente para Assunção, Paraguai. Dizem que eram sete
vacas e um touro. Desta reprodução seguiu deste indez para Santa Fé,
Argentina. Desta região, para o grande rodeio da Bacia do Prata, o
pastoreio da Vacaria do Mar, (Banda Oriental), Uruguai, em 1611 e
1617 por ordem de (Hernandarias), Hernando Arias de Saavedra. E
destas reproduções o Jesuíta os repontou para as estâncias
Missioneiras e para a Vacaria dos Pinhais que estava em formação no
Rio Grande do Sul – Brasil, por volta de 1710.
Na antiga
Vacaria dos Pinhais, Campos de Cima da Serra, o gado Franqueiro
aquerenciou-se, povoou as sesmarias ondulantes, selecionando-se
naturalmente e sustentando a economia por séculos. A raça de gado
Franqueiro é uma raça brasileira
que se encontra em risco de extinção. Existem dois tipos
de Franqueiro, o Borrachudo (guampas curtas e grossas de até 65 cm
de circunferência e 50 cm de comprimento) e o de guampas finas e
compridas com 230 cm de uma ponta a outra, ambos grandes e fortes,
couro grosso. A pelagem é
multicolorida, de todo pêlo. Os mais característicos são os
Africanos, de preto e de vermelho, pretos do lombo branco pintado ou
vermelho do mesmo tipo. De outro tipo, são os Jaguanés Fumaços; de
pelos pintados (salinos) e de pelos brancos de orelhas e focinhos vermelhos ou orelhas e focinhos
pretos. Além destes, os vermelhos ou mascarados (cara branca), os barrosos, os
baios, os overos (manchados) e os brasinos, entre outros.
Fonte:
Tania de Azevedo Weimer e Sebastião F. de Oliveira
O Franqueiro
contribuiu para o desenvolvimento do povo Gaúcho
Tração (fonte
de força
animal): arou a terra, transportou carretas, arrastou materiais
de construções, pedras, madeira etc;
Produção de
leite e de derivados: queijo, coalhada (iogurte de
hoje), etc;
Carne:
alimentou o homem e seus sonhos;
Couro: laços,
aperos, botas, bruacas etc;
Chifres: produção de vasilhame,
pratos, guampas
de beber água
ou coalhada, cabos de facas e outros utensílios, etc.
A cultura gaúcha é
toda alicerçada neste patrimônio Nacional “O Franqueiro”
que há 500 anos carrega um sol
americano entre as guampas.